Magnetismo e Mediunidade

 

Mesmer Fala sobre Mediunidade e Magnetismo


Mensagens de Mesmer (Espírito): A Revista Espírita, editada por Allan Kardec, em suas edições de Janeiro e Outubro/1864 e Maio/1865 publicou quatro instrutivas mensagens mediúnicas assinadas por Mesmer, abordando os temas: Médiuns Curadores, Fenômenos Espíritas, Imigração dos Espíritos Superiores para a Terra e Criações Fluídicas.

Dentre os seus conceitos sobre mediunidade de cura e magnetismo, destaca-se o seguinte tópico: “A vontade desenvolve o fluido seja animal, seja espiritual, porque, o sabeis todos agora, há vários gêneros de magnetismo, entre os quais estão o magnetismo animal e o magnetismo espiritual que pode, segundo a ocorrência, pedir apoio ao primeiro. Um outro gênero de magnetismo, muito mais poderoso ainda, é a prece que uma alma pura e desinteressada dirige a Deus.” (Revista Espírita, Jan./1864, p. 7, IDE.)

Vejamos abaixo, na íntegra, a mensagem que acabamos de citar:

Médiuns Curadores

A vontade, existindo no homem em diferentes graus de desenvolvimento, serviu, em todas as épocas, seja para curar, seja para aliviar. É lamentável ser obrigado a constatar que ela foi também a fonte de muitos males, mas é uma das consequências do abuso que, frequentemente, o ser faz de seu livre arbítrio.

A vontade desenvolve o fluido seja animal, seja espiritual, porque, o sabeis todos agora, há vários gêneros de magnetismo, entre os quais estão o magnetismo animal e o magnetismo espiritual que pode, segundo a ocorrência, pedir apoio ao primeiro. Um outro gênero de magnetismo, muito mais poderoso ainda, é a prece que uma alma pura e desinteressada dirige a Deus.

A vontade foi, frequentemente, mal compreendida; em geral aquele que magnetiza não pensa senão em desdobrar sua força fluídica, senão em derramar seu próprio fluido sobre o paciente submetido a seus cuidados, sem se ocupar se há ou não uma Providência que nisso se interessa tanto e mais do que ele; agindo só, não pode obter senão o que sua única força pode produzir; ao passo que nossos médiuns curadores começam por elevar sua alma a Deus, e para reconhecer que, por eles mesmos, não podem nada; fazem, por isso mesmo, um ato de humildade, de abnegação; então, confessando-se muito fracos por si mesmos, Deus, em sua solicitude, lhes envia poderosos recursos que não pode obter o primeiro, uma vez que se julga suficiente para a obra empreendida. Deus recompensa sempre a humildade sincera elevando-a, ao passo que rebaixa o orgulho.

Esse recurso que envia, são os bons Espíritos que vêm penetrar o médium de seu fluido benfazejo, que este transmite ao enfermo. Também é por isso que o magnetismo empregado pelos médiuns curadores é tão poderoso e produz essas curas qualificadas de miraculosas, e que são devidas simplesmente à natureza do fluido derramado sobre o médium; ao passo que o magnetizador comum se esgota, frequentemente, em vão, em fazer passes, o médium curador infiltra um fluido regenerador pela única imposição das mãos, graças ao concurso dos bons Espíritos; mas esse concurso não é concedido senão à fé sincera e à pureza de intenção.”

MESMER (Médium - Sr. Albert)
Revista Espírita – Ano 7 – Janeiro/1864

Magnetismo, Homeopatia e Espiritismo


Todo grande pensamento ou idéia religiosa não surge de repente, mas há que se haver uma preparação do solo para que a semente seja lançada e frutifique. Assim ocorreu com o Espiritismo cujo Codificador, Allan Kardec estudou por 35 anos o Magnetismo Animal, ou Mesmerismo, antes de se dedicar à Doutrina Espírita.
A Homeopatia, criação inspirada de Samuel Hahnemann, e o Magnetismo, proporcionaram o enraizamento de idéias que preparavam as almas européias sensíveis a pensarem o Ser Humano como um ser bio-psico-social dotado de uma alma, componente de uma centelha que sustenta a vida. Não mais a influência de uma medicina medieval, materialista, mecanicista, mas uma ciência médica voltada para enxergar homem e o princípio vital contido em seu espírito.

Magnetismo e Homeopatia, portanto, se tornaram forças equilibrantes e opostas, na Europa e no Brasil, às idéias materialistas que permeavam o mundo pós-Inquisição. As doutrinas de Auguste Comte e Spencer seduziam milhares de criaturas se opondo intransigentemente ao sobrenatural, reforçando o “espírito positivo” e rejeitando qualquer cogitação das primeiras causas.
Ao tempo de Hahneman, a medicina oficial era um conjunto anacrônico de princípios, teorias e práticas empíricas, eminentemente drenadoras. Sua base eram as “sangrias”, os purgantes, os vomitórios e outros recursos criados sem um estudo metódico e científico.

A Homeopatia trouxe uma farmacodinâmica própria, considerando não só os limites materiais do indivíduo, mas penetrando no conhecimento da intimidade discreta e sutil de seu corpo bioplasmático.

Escreveu Mesmer em 1799:

As primeiras curas obtidas de algumas doenças consideradas incuráveis pela Medicina, suscitaram inveja e produziram mesmo ingratidão, que se somaram para ampliar as prevenções contra meu método de cura. Muitos sábios uniram-se para fazer cair senão no esquecimento, pelo menos no desprezo, as aberturas que realizei neste campo: divulgou-se por toda parte como impostura. Mas que, longe de me desencorajar, redobraram meus esforços para o triunfo das verdades que acho essenciais à felicidade dos homens.”

Enquanto os Médicos de sua época exerciam a medicina heróica, tradicional, desde Galeno no século II, por sua vez, Mesmer foi formado pela Universidade de Viena, então reformada por Van Swieden, na escola clínica de Boerhaave (conhecido como professor da Europa ou Hipócrates holandês).

Mesmer cursou as faculdades de teologia, filosofia, medicina, e em parte, de direito. Seu terceiro doutorado, foi em Medicina, pela Universidade de Viena, reformulada por Van-Swieten, discípulo de Boerhaave, o criador da clínica moderna, que propôs uma retomada dos princípios da medicina científica e vitalista, fruto da observação junto aos pacientes e do uso da razão, recuperando os princípios do pai da medicina, o grego Hipócrates (vis medicatrix naturae). Incluía o estudo de ciências naturais, física, química e as então recentes descobertas fisiológicas.

Para Boerhaave, uma vis vitae, ou força vital, era responsável pela manutenção da saúde orgânica, como para todos os vitalistas científicos, que estavam se contrapondo ao materialismo mecanicista da medicina oficial, a prática médica heróica milenar.

Muitas mentiras e difamações sofreu Mesmer e até mesmo uma das obras tidas como principais de sua bibliografia, AFORISMOS DE MESMER foi desautorizada por ele, tendo sido compilada por seus alunos de um curso dado por ele.

Sua obra principal foi “Mémoires de F. A. Mesmer, docteur em médicine, sur ses découvertes.” Paris, 1799. (“Memórias de F. A. Mesmer, Doutor em Medicina, Sobre Suas Descobertas”). Esta obra contém o modelo teórico da terapia do Magnetismo Animal, sonambulismo provocado e lucidez sonambúlica, diferentes tons de movimentos (vibrações) do Fluido Universal: luz, eletricidade, magnetismo mineral, gravidade, magnetismo animal e todas as coisas.

A terapia do Magnetismo animal acelera o ciclo das doenças, antecipando a crise (crisis hipocrática) e restabelecendo o estado de equilíbrio, ou saúde.

Esclarece Mesmer em sua obra principal, ainda hoje desconhecida da geração atual:

É o empirismo ou a aplicação às cegas dos meus procedimentos, que deram lugar às prevenções e às críticas indiscretas que se fizeram contra esse novo método. Estes procedimentos se não forem razoáveis, se assemelharão a afetações tão absurdas quanto ridículas, às quais será impossível atribuir fé.

Sexto sentido, instinto, sonambulismo provocado.

1. Como o homem adormecido pode julgar e prevenir suas moléstias, e mesmo as dos outros?

2. Como, sem qualquer instrução, pode indicar os meios mais adequados à cura?

3. Como pode ver objetos afastados, e pressentir os acontecimentos?

4. Como o homem pode receber impressões de uma outra vontade que não a sua ?

5. Por que o homem não é sempre dotado dessas faculdades?

6. Como são passíveis de aperfeiçoamento?

7. Por que este estado é mais freqüente, e parece ser mais perfeito após o emprego do processo do Magnetismo Animal?

8. Quais têm sido os efeitos da ignorância destes fenômenos e quais são eles ainda hoje?

9. Quais são os inconvenientes resultantes do abuso que deles se faz?

Declarou Kardec na Revista Espírita de 1868:

O Magnetismo, a Homeopatia, e o Espiritismo.

A cura só é completa após a destruição das causas. Eis porque os tratamentos terapêuticos muitas vezes necessitam ser completados por tratamento fluídico e reciprocamente. Eis, também, porque as curas instantâneas, que ocorrem nos casos em que a predominância fluídica é, por assim dizer, exclusiva, jamais poderão tornar-se um meio curativo universal. Não são, conseqüentemente, chamadas a suplantar nem a medicina, nem a homeopatia, nem o magnetismo comum.

Hahnemann, por sua vez, escreveu no ORGANON, a “bíblia” da Homeopatia:

Organon, Parágrafo 288:

Neste ponto acho ainda necessário fazer menção ao chamado Magnetismo Animal, ou melhor, ao Mesmerismo (como deveria ser chamado, graças a Mesmer, seu fundador), que difere da natureza de todos os outros medicamentos. Essa força curativa, muitas vezes tolamente negada e difamada ao longo de um século inteiro, esse maravilhoso e inestimável presente com que Deus agraciou o Homem, mediante o qual, através da poderosa vontade de uma pessoa bem intencionada sobre um doente, por contato, ou mesmo sem ele, e mesmo a uma certa distância, a força vital do mesmerizador sadio, dotado com essa força, aflui dinamicamente para um outro indivíduo (...)

Já no Plano Espiritual, viria declarar mais tarde, Hahnemann:

O Espiritismo será um poderoso auxiliar da Medicina. Graças a ele, ela abandonará a tradição materialista que, há muito tempo, retardou o seu vôo.

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O Magnetismo Animal e o Espiritismo


MAGNETISMO ANIMAL E ESPIRITISMO SÃO CIÊNCIAS IRMÃS

É de lamentar que a ciência do Magnetismo Animal esteja praticamente esquecida. O movimento espírita brasileiro guarda apenas resquícios de suas teorias e práticas.

Foi Allan Kardec quem ressaltou a sua importância, denominando o Magnetismo Animal como ciência irmã do Espiritismo. Em O Livro dos Espíritos, questão 555, o codificador esclareceu:

“O Espiritismo e o Magnetismo (Animal) nos dão a chave de uma imensidade de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu um sem-número de fábulas, em que os fatos se apresentam exagerados pela imaginação.

O conhecimento lúcido dessas duas ciências que, a bem dizer, formam uma única, mostrando a realidade das coisas e suas verdadeiras causas, constitui o melhor preservativo contra as idéias supersticiosas, porque revela o que é possível e o que é impossível, o que está nas leis da Natureza e o que não passa de ridícula crendice”.

No pouco que tratam do magnetismo animal, as enciclopédias, livros de medicina e psicologia atuais são tendenciosos e superficiais. Concentra-se em demonstrar Mesmer como uma figura caricata, dotada de uma personalidade mística e exibicionista. A versão é repetidamente reproduzida de um livro a outro. As descrições de seus métodos, invariavelmente levam a crer num comportamento burlesco destituído de ética científica e moral. Toda essa campanha difamatória induz o leitor a imaginar que o tema não é merecedor de maior atenção.
Kardec pesquisou o Magnetismo por 35 anos

Alguns adversários contumazes do Espiritismo fazem uso da imagem caluniada de Mesmer para atacar Allan Kardec. Afinal, o codificador estudou por 35 anos a ciência do Magnetismo Animal e todos os seus fenômenos. Por que razão um emérito pesquisador dedicaria tanto tempo de sua vida aos estudos de um pretenso charlatão? Uma investigação cuidadosa dessa ciência é fundamental para não deixar dúvidas.

Frans Anton Mesmer percebeu a grande importância do fluido vital na recuperação e manutenção da saúde:

Existe na Natureza um princípio agindo universalmente, independente de nós, e que opera o que nós atribuímos vagamente à Medicina e à Natureza. (...) Tenho submetido minhas idéias à experiência durante doze anos, os quais tenho consagrado às observações as mais exatas sobre todos os gêneros de doenças. E tenho tido a satisfação de ver as máximas que havia pressentido se comprovarem constantemente.” (MESMER, 1779).

Surgia a oportunidade de revolucionar a medicina. Um passo fundamental na história da humanidade. “A grande questão de que trato não é nem individual nem nacional: é universal. É à humanidade inteira e não apenas a Paris, à França, ou à Alemanha, que devo dar conta de meus esforços para fazer prosperar a consciente verdade que eu prometo. É a todos os povos do mundo que devo dirigir a palavra.” (MESMER, 1781).

Mas a sua missão não encontrou um caminho suave. A classe médica e científica de sua época, arraigada no materialismo, não só rejeitou como também perseguiu e caluniou o doutor Mesmer e suas descobertas. Muitos agiram por questões pessoais. Certamente tinham medo de perder poder, prestígio, e principalmente a preciosa remuneração dos enfermos abastados.

Perseguição feroz e injustab 

As acusações feitas ao Magnetismo Animal, na maioria das vezes, deixavam evidente a má intenção. Em seu tempo Mesmer denunciou:

As primeiras curas obtidas de algumas doenças consideradas incuráveis pela medicina suscitaram inveja e produziram mesmo ingratidão, que se somaram para ampliar as prevenções contra meu método de cura. De sorte que muitos sábios uniram-se para fazer cair senão no esquecimento, pelo menos no desprezo, as aberturas que realizei neste campo: divulgou-se por toda parte como impostura.

Na França, nação mais esclarecida e menos indiferente aos novos conhecimentos, não deixei de amargar contrariedades de toda espécie, e perseguições que meus compatriotas me haviam preparado há tempos, mas que, longe de me desencorajar, redobraram meus esforços para o triunfo das verdades que acho essenciais à felicidade dos homens.” (MESMER, 1799).

Jamais os contratempos desencorajaram Mesmer. Ele estava preparado para estar à frente das descobertas. Foi um homem obstinado, médico sábio e filósofo. Trocou uma vida que poderia ter sido calma e honrada, pela defesa determinada de sua descoberta, considerando-a uma questão humanitária. É uma ironia o fato de Mesmer ter sofrido acusações de estar apenas em busca de fortuna e prestígio, se, antes de tudo, suas posses eram suficientes para mantê-lo confortavelmente por toda sua vida.

E o seu prestígio, por sua vez, conquistado por uma brilhante carreira na medicina e na cultura em geral, foi completamente abalada depois que se dedicou ao magnetismo. Um caso constrangedor na casa de Mesmer. Diante das curas evidentes proporcionadas pelo mesmerismo ocorriam as mais diversas reações. Espanto e êxtase eram os mais comuns. Para alguns médicos, porém, a reação era de inveja e ambição. Casos constrangedores foram relatados por Mesmer em suas obras. Vejamos um deles:

Em Paris, Mesmer recebeu numa noite um grupo de médicos interessados na novidade anunciada em todos os cantos da cidade. Foram recebidos com dedicação. O doutor Mesmer era um grande anfitrião. Alguns doentes foram chamados especialmente para a ocasião. Num salão apropriado, todos foram acomodados. Uma dúzia de médicos formava o grupo.

Quando estavam para iniciar os experimentos, inesperadamente um dos médicos começou a atrair a atenção dos presentes. Advertia para o risco profissional de estarem ali. Segundo ele, estavam colocando em perigo suas reputações quando entraram naquela casa. – “As academias não vão ver com bons olhos sua ligação com assuntos tão duvidosos!” – Dizia o médico.

A situação ficou constrangedora. Os médicos discutiam em pequenos grupos. Alguns deixaram a casa, alegando compromissos. Outros lamentaram o adiantar da hora. Por fim, a demonstração dos extraordinários fenômenos ficou comprometida.

Enquanto os últimos assustados doutores deixavam a residência, o médico que d havia feito o escandaloso alerta pediu a Mesmer uma conversa privativa. Dirigiram-se ao escritório particular do anfitrião. Olhando para os lados para garantir que ninguém os ouvia, o médico fez a sua proposta: - “Tenho um ótimo ponto em Paris. Seria uma grande vantagem fazer uma sociedade comigo. Poderíamos ter uma clínica bastante lucrativa. O que acha?”

Mesmer apontou a porta de saída, indicando polidamente a evidente recusa. Em verdade, ficou indignado com aabsurda proposta. Esse médico interesseiro, no entanto, pelo menos foi explícito em seus propósitos. Muitos outros se esconderam no anonimato para atacar o Magnetismo Animal por trás das academias, arbítrios do poder, difamação e calúnia.

O que é preciso para ser um crítico sério

Um crítico justo e coerente do mesmerismo tem o dever de agir com seriedade e rigorosidade metódica, tudo estudando antes de considerar-se em condições de elaborar conclusões. Basta lembrar as recomendações, carregadas do peculiar bom-senso de Allan Kardec: “Só se pode considerar como crítico sério aquele que houvesse tudo visto, tudo estudado, com a paciência e a perseverança de um observador consciencioso; que soubesse sobre esse assunto tanto quanto o mais esclarecido adepto; que não tivesse extraído seus conhecimentos dos romances das ciências; a quem não poderia opor nenhum fato do seu desconhecimento, nenhum argumento que ele não tivesse meditado; que refutasse, não por negações, mas por meio de outros argumentos mais peremptórios; que pudesse, enfim, atribuir uma causa mais lógica aos fatos averiguados”. (KARDEC, 1860, p. 271)

Para compreender o magnetismo animal é preciso estudar, com paciência e perseverança, todos os seus fatos. Mas também mergulhar nas obras de Mesmer para conhecer seus argumentos, o desenvolvimento de suas idéias, as descrições de suas descobertas, os verdadeiros fatos por ele relatados.

O resgate dessa ciência pode auxiliar a compreensão do Espiritismo. E também oferecer subsídios para que o materialismo abandone a medicina. Só então a humanidade ganhará esperanças de encontrar a saúde integral para todos.

Paulo Henrique de Figueiredo - Jornal Espírita, Março/2005.

Bibliografia:
 KARDEC, Allan. [1857]. O Livro dos Espíritos. São Paulo: Lake, 1998.
 KARDEC, Allan. 1960. Revista Espírita, jornal de estudos psicológicos. Sobradinho, DF: Edicel.
 MESMER, Frans Anton. 1779. Mémoire sur Ia découverte du magnétisme animal par F. A. Mesmer. Geneva e Paris: Pamphlet.
 MESMER, Frans Anton. 1781. Précis historique desfaiís relatifs au magnétisme animal jusqu 'en avril 1781. London e Paris: Pamphlet.
MESMER, Frans Anton. 1799. Mémoires de F. A. Mesmer, docteur en medicine, sursesdécouvertes. Paris: Suchs.
 MESMER, Frans Anton. 1814. Organizado por Von K. C. Wolfart.
 Mesmerismus odersysteme der wechsehvirkungen: theorie und anwendung dês thierischen magnetismus ais die allgemeine heilkunde zur erhaltung dês menschen. Berlin: Nikolaische Buchhandlung.
Retirado do site Comunidade Espírita
 

 

A Causa Real e a Cura das Doenças


A razão principal do fracasso da medicina moderna está no fato de ela se ocupar dos efeitos e não das causas. Por muitos séculos, a real natureza da doença foi encoberta pela capa do materialismo e, assim, tem sido dadas à própria doença todas as oportunidades de ela propagar sua destruição, uma vez que não foi combatida em suas origens. Essa situação é semelhante à do inimigo que construiu uma sólida fortaleza nas colinas, comandando de lá constantes operações de guerrilha no país vizinho, enquanto as pessoas, ignorando a praça forte, contentam-se em reparar as casas danificadas e em enterrar seus mortos, consequências das ofensivas dos saqueadores. Essa é, em termos gerais, a situação da medicina nos dias de hoje: consertar às pressas os danos resultantes do ataque e enterrar os mortos, sem que se dê a mínima atenção para o verdadeiro reduto inimigo.

A doença nunca será curada nem erradicada pelos métodos materialistas dos tempos atuais, pelo simples fato de que, em suas origens , ela não é material. O que conhecemos como doença é o derradeiro efeito produzido no corpo, o produto final de forças profundas desde há muito em atividade, e, mesmo quando o tratamento material sozinho parece bem sucedido, ele não passa de um paliativo, a menos que a causa real tenha sido suprimida.

A tendência atual da ciência médica, por interpretar erroneamente a verdadeira doença e por fixar toda a atenção, com sua visão materialista, no corpo físico, tem aumentado sobremodo o poder da doença; em primeiro lugar, por desviar a atenção das pessoas da verdadeira origem da enfermidade e, portanto, da estratégia eficaz para combatê-la; em segundo , por localizá-la, no corpo, obscurecendo, assim, a verdadeira esperança de recuperação e criando um enorme complexo de doença e medo, complexo que nunca deveria ter existido.

Em essência, a doença é o resultado do conflito entre a Alma e a Mente, e ela jamais será erradicada exceto por meio de esforços mentais e espirituais.

Nenhum esforço que se destine apenas ao corpo pode fazer mais do que reparar superficialmente um dano, e nisso não há nenhuma cura, visto que a causa ainda continua em atividade e pode, a qualquer momento, manifestar novamente sua presença, assumindo outro aspecto. De fato, em muitos casos a recuperação aparente acaba sendo prejudicial, já que oculta do paciente a verdadeira causa do seu problema, e, na satisfação que se experimenta com essa aparente recuperação da saúde, o fato real, continuando ignorado, pode fortalecer-se.

Uma das exceções para os métodos materialistas na ciência moderna é a do grande Hahnemann, o fundador da homeopatia, que com sua compreensão do amor beneficente do Criador e da Divindade que mora dentro do homem, e por estudar a atitude mental de seus pacientes diante da vida, do meio ambiente e suas doenças, foi buscar nas ervas do campo e nos domínios da natureza o remédio que não apenas haveria de curar seus corpos mas, ao mesmo tempo, elevaria a sua perspectiva mental.

Quinhentos anos antes de Cristo, alguns médicos da antiga Índia, trabalhando sob a influência do Senhor Buda, levaram a arte de curar a um estágio tão perfeito que conseguiram abolir a cirurgia, ainda que, na sua época, ela fosse tão eficiente, ou até mais, que a dos dias atuais. Homens como Hipócrates, com seus ideais grandiosos sobre a cura; Paracelso, com a convicção de uma divindade dentro do homem, e, Hahnemann, que compreendeu que a doença tinha sua origem num plano acima do físico - todos eles sabiam muito sobre a verdadeira natureza do sofrimento e sobre o remédio para ele.

A doença, posto que pareça tão cruel, é benéfica e existe para nosso próprio bem; se interpretada de maneira correta, guiar-nos-á em direção aos nossos defeitos principais. Se tratada com propriedade, será a causa da supressão desses defeitos e fará de nós pessoas melhores e mais evoluídas do que éramos antes. O sofrimento é um corretivo para se salientar uma lição que de outro modo não haveríamos de aprender, e ele jamais poderá ser dispensado até que a lição seja totalmente assimilada.

Vemos que não há nada de acidental no que diz respeito à doença, nem quanto ao seu tipo nem quanto à parte do corpo que foi afetada; como todos os outros resultados da energia, ela obedece à lei de causa e efeito. Certos males podem ser causados por meios físicos diretos, tais como os associados à ingestão de substâncias tóxicas, acidentes, ferimentos e excessos cometidos, mas, em geral, a doença se deve a algum erro básico em nosso temperamento.

As doenças reais e básicas do homem são certos defeitos como o orgulho, a crueldade, o ódio, o egoísmo, a ignorância, a instabilidade, a ambição; e se cada um deles for considerado individualmente, notar-se-á que todos são contrários à Unidade. Tais defeitos é que constituem a verdadeira doença, e a continuidade desses defeitos, persistirmos neles, depois de termos alcançado um estágio de desenvolvimento em que já os sabemos nocivos, é o que ocasiona no corpo os efeitos prejudiciais que conhecemos como enfermidades.

Para se alcançar uma cura completa, não somente devem ser empregados recursos físicos, escolhendo sempre os métodos melhores e mais familiares à arte da cura, mas também devemos lançar mão de toda a nossa habilidade para eliminar qualquer falha em nossa natureza; porque a cura total vem essencialmente de dentro de nós, da própria Alma que, por meio da bondade do Criador, irradia harmonia do começo ao fim da personalidade, quando se permite que assim seja.

(...) Não há objetivo em nos ocuparmos dos fracassos da medicina moderna; demolir é inútil quando não se constrói um edifício melhor e, como na medicina já se estabeleceram as bases de uma edificação mais nova, empenhemo-nos em acrescentar um ou dois tijolos a esse templo. Tampouco pode ser de valor uma crítica negativa da profissão; é o sistema que está fundamentalmente equivocado, não os homens; pois é um sistema pelo qual o médico, por razões unicamente econômicas, não tem tempo para ministrar um tratamento tranquilo e sossegado nem oportunidade para pensar e meditar adequadamente, o que deveria ser a herança dos que devotam sua vida a assistir doentes. Como disse Paracelso, o médico sábio atende a cinco, e não a quinze pacientes num dia - ideal impraticável em nossa época para um médico comum.

A aurora de uma arte de curar mais nova e melhor paira sobre nós. Há cem anos, a homeopatia de Hahnemann foi o primeiro raio da luz matinal, depois de um longo período de trevas, e pode desempenhar um grande papel na medicina do futuro. Ademais, a atenção que se está dispensando no presente momento à melhoria da qualidade de vida e ao estabelecimento de uma dieta mais pura é um progresso rumo à prevenção da doença; a esses movimentos que pretendem levar ao conhecimento das pessoas tanto a relação que existe entre os fracassos espirituais e a enfermidade, bem como a cura que se pode obter através do aprimoramento da mente, estão apontando o caminho por onde devemos seguir rumo à luz de um novo dia, em cujo brilho a escuridão da enfermidade desaparecerá.

Texto escrito pelo médico inglês Dr. Edward Bach em CURA-TE A TI MESMO, no ano de 1930 - Extraído do livro 'Os Remédios Florais do Dr. Bach' - Ed. Pensamento.


Sobre os Médiuns Curadores


- Qual a finalidade de médiuns curadores?

Divaldo Franco – A prática do bem, do auxílio aos doentes. O Apóstolo Paulo já dizia: “Uns falam línguas estrangeiras, outros profetizam, outros impõem as mãos...”

Como o Espiritismo é o Consolador, a mediunidade, sendo o campo, a porta por meio da qual os Espíritos Superiores semeiam e agem, a faculdade curadora é o veículo da Misericórdia para atender a quem padece, despertando-o para as realidades da Vida Maior, a Vida Verdadeira. Após a recuperação da saúde, o paciente já não tem o direito de manter dúvidas nem suposições negativas ante a realidade do que experimentou.

O médium curador é o intermediário para o chamamento aos que sofrem, para que mudem a direção do pensamento e do comportamento, integrando-se na esfera do bem.

- É normal que médiuns dessa natureza se utilizem de instrumental cirúrgico, de indumentária, que os caracterizem como médicos?

Divaldo Franco – Na minha forma de ver, trata-se de ignorância do espírito comunicante, que deve ser devidamente esclarecido, e de presunção do médium, que deve ter alguma frustração e se realiza dessa forma, ou de uma exibição, ou, ainda, para gerar maior aceitação do consulente que, condicionado pela aparência, fica mais receptivo. Já que os espíritos se podem utilizar dos médiuns que normalmente não os usam, não vejo porque recorrer à técnica humana quando eles a possuem superior.

- Quais os cuidados que se deve tomar para que o médium curador não se apresente como um curandeiro e não esteja enquadrado no Código Penal, pela prática ilegal da medicina?

Divaldo Franco – Primeiro, que ele estude a Doutrina Espírita, porque todo e qualquer médium que ignora o Espiritismo é alguém que caminha em perigo.

Por que é alguém que caminha em perigo? Porque aquele que ignora os recursos que possui, que se desconhece a si mesmo, é incapaz de realizar um trabalho em profundidade e com equilíbrio. Se estuda a Doutrina, fica sabendo que a faculdade de que se encontra revestido é temporária, é o acréscimo de responsabilidade, também uma provação, na qual ele estará sendo testado constantemente e deve sempre, em cada exame, lograr um resultado positivo.

Depois de se dedicar ao estudo da Doutrina, deve se vincular a um Centro Espírita, porque um dos fatores básicos do nosso comportamento é a solidariedade, em trabalho de equipe. Estando a trabalhar num Centro Espírita, ele estará menos vulnerável às agressões das pessoas frívolas, irresponsáveis, dos interesseiros; terá um programa de ação, em dias e horas adrede estabelecidos. Então, não ficará à mercê da mediunidade, em função dela, mas será um cidadão normal, que tem seus momentos de atender, trabalhando para viver com dignidade e renunciando às suas horas de descanso em favor do ministério mediúnico.

Para que ele se poupe de ficar incurso no Código Penal, deve fazer o exercício da mediunidade sem prometer, sem anunciar curas retumbantes, porque estas não podem ser antecedidas, e a Deus pertencem, e não retire da mediunidade nenhum proveito imediato, porque o curandeirismo implica em exploração da ingenuidade do povo, da superstição e da má-fé. Se ele é dotado de uma faculdade mediúnica, seja qual seja, dentro de uma vida regular e equilibrada, preservar-se-á a si mesmo. Se, eventualmente, for colhido nas artimanhas e nas malhas da Lei, isto será consequência da Lei Divina.

Que ele saiba pagar o preço do ministério que executa, que lhe foi confiado pelo Senhor.

Retirado do livro “Diretrizes de Segurança”
Por Divaldo P. Franco e J. Raul Teixeira



Sobre as curas à distância



Para curar uma pessoa à distância, utilizando-nos da força mental, procederemos assim: sentados em relaxamento muscular, numa hora em que sabemos que o paciente repousa ou dorme, visualizemos sua figura à nossa frente, e sobre essa figura mental (que pode ser mais bem focalizada se tivermos dela uma fotografia) apliquemos passes, lancemos as irradiações benéficas e digamos palavras construtivas, a respeito do que é necessário que faça para curar-se de uma doença, de um vício etc.

Indispensável para o bom êxito que as imagens mentais e os processos de cura e as palavras sejam todas nítidas, e que nenhum engano seja cometido, para que não assumamos involuntariamente o carma dessa pessoa, e para que não interfiramos em seu livre-arbítrio, impondo-lhe nossa vontade contra a sua: o choque de retorno poderá trazer a nós o reverso do que queríamos impor-lhe; ou então, pior ainda, corremos o perigo de fazer a pessoa piorar; por nossa incompetência podemos fazer que sua doença ou seu vício, que residem no plano físico ou no astral, subam de plano e se transfiram aos veículos superiores.

Consideremos: a doença física, de modo geral, vem do mental e é libertada através do físico. Por isso é quase sempre mais proveitoso para a vítima, deixar que a doença (que é simples “evacuação” de fluidos pesados) siga seu curso normal e a purifique. Se nesse processo intervém um curador mental canhestro, sem capacidade real, e interfere no processo natural de liberação, pode ocorrer que haja um atraso e um retorno dos fluidos ao plano mental, piorando ao invés de obter a melhora, almejada.

Daí a necessidade de SABER agir e de não ter pretensões descabidas a respeito do próprio valor, fazendo as coisas “por ouvir dizer”. Se somos conscientes, limitar-nos-emos a orar “para que se cumpra a vontade de Deus imanente dentro dessa pessoa” pois Ele sabe, melhor do que nós, aquilo de que essa pessoa necessita para sua evolução. Por isso, é sempre melhor usar, no tratamento das enfermidades, os tratamentos físicos usuais: chamar um médico e dar remédios, orar e dar passes, sem entrar na magia mental, bastante perigosa para ambas as partes.

No entanto, o processo de cura mental pode ser utilizado com muito êxito para os desencarnados, como ocorre nas sessões mediúnicas.

Mas muito cuidado é necessário para não obsidiar o espírito, impedindo-lhe a evolução e impondo-lhe o que pensamos ser melhor para ele! Limitemo-nos, pois, a ORAR em beneficio de encarnados e desencarnados, até atingirmos evolução capaz de VER e PERCEBER espiritualmente.

Por isso, os dirigentes religiosos das massas populares utilizam meios eficazes e sem perigo, como no catolicismo as “missas”, no hinduísmo o “shrâddha”, no espiritismo as “sessões de caridade”, e em todas as religiões, as orações pelos “mortos”.

Do livro “Técnica da Mediunidade” - Carlos Torres Pastorino
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A Mediunidade Curadora e o Magnetismo




O conhecimento da mediunidade curadora é uma das conquistas que devemos ao Espiritismo. Os médiuns que obtêm as indicações de remédios da parte dos Espíritos não são o que se chama médiuns curadores, porque não curam por si mesmos; são simples médiuns escreventes que têm uma aptidão mais especial do que outros para esse gênero de comunicações, e que, por essa razão, podem se chamar médiuns consultantes (consultores), como outros são médiuns poetas ou desenhistas. A mediunidade curadora se exerce pela ação direta do médium sobre o doente, com a ajuda de uma espécie de magnetização de fato ou de pensamento.


O Espírito pode agir diretamente, sem intermediário, sobre um indivíduo, assim como se pôde constatar em muitas ocasiões, seja para aliviá-lo, curá-lo se isto se pode, ou para produzir o sono sonambúlico. Quando se age por intermediário, é o caso da mediunidade curadora.
O médium curador recebe o influxo fluídico do Espírito, ao passo que o magnetizador haure tudo em si mesmo. Mas os médiuns curadores, na estrita acepção da palavra, quer dizer, aqueles cuja personalidade se apaga completamente diante da ação espiritual, são extremamente raros, porque esta faculdade, elevada ao seu mais alto grau, requer um conjunto de qualidades morais que raramente se encontra sobre a Terra; somente eles podem obter, pela imposição das mãos, essas curas instantâneas que nos parecem prodigiosas; muito poucas pessoas podem pretender este favor. O orgulho e o egoísmo sendo as principais fontes das imperfeições humanas, disso resulta que aqueles que se gabam de possuir esse dom, que vão por toda a parte enaltecendo as curas maravilhosas que fizeram, ou que dizem ter feito, que procuram a glória, a reputação ou o proveito, estão nas piores condições para obtê-la, porque esta faculdade é o privilégio exclusivo da modéstia, da humildade, do devotamento e do desinteresse. Jesus dizia àqueles que tinha curado: “Ide dar graças a Deus, e não o digais a ninguém.”
A mediunidade curadora pura sendo, pois, uma exceção neste mundo, disso resulta que há quase sempre ação simultânea do fluido espiritual e do fluido humano; quer dizer, que os médiuns curadores são todos mais ou menos magnetizadores, é por isso que agem segundo os procedimentos magnéticos; a diferença está na predominância de um ou de outro fluido, e na maior ou na menor rapidez da cura. Todo magnetizador pode se tornar médium curador, se sabe se fazer assistir pelos bons Espíritos; neste caso os Espíritos lhe vêm em ajuda, derramando sobre ele seu próprio fluido que pode decuplicar ou centuplicar a ação do fluido puramente humano.
Os Espíritos vão para onde querem; nenhuma vontade pode constrangê-los; eles se rendem à prece, se é fervorosa, sincera, mas jamais à injunção. Disso resulta que a vontade não pode dar a mediunidade curadora, e que ninguém pode ser médium curador de desejo premeditado. Reconhece-se o médium curador pelos resultados que obtém, e não pela sua pretensão de sê-lo.
A mediunidade curadora é uma aptidão, como todos os gêneros de mediunidade, inerente ao indivíduo, mas o resultado efetivo dessa aptidão é independente de sua vontade. Ela se desenvolve, incontestavelmente, pelo exercício, e sobretudo, pela prática do bem e da caridade.
Fonte: Revista Espírita – Allan Kardec
Ano 8 - Setembro de 1865 - Nº. 9


Centros vitais e mediunidade


 
- Qual o papel dos centros vitais no intercâmbio mediúnico?

Raul Teixeira – Encontramos os centros vitais como sendo representações do corpo psicossomático ou perispírito, correspondendo aos plexos no corpo físico. São verdadeiras subestações energéticas.

À proporção que encontramos no mapa fisiológico do indivíduo os diversos entroncamentos nervosos, de vasos, de veias, temos aí um foco de expansão de energia.

O nosso centro coronário, que é a porta que se abre para o cosmo, é a “esponja” que absorve o influxo de energia e o distribui para o centro cerebral, para o centro laríngeo, e, respectivamente, para outros centros que se distribuem com maior ou menor intensidade, através do corpo.

Sabemos que tais energias, antes de atingir o corpo físico, abrigam-se no corpo espiritual. Do mesmo modo como se tivéssemos uma grande cisterna de água abastecendo uma cidade, tendo em cada residência a nossa particular, verificamos no organismo a grande “cisterna” que absorve as energias de maior vulto, que é o citado centro coronário, e as pequenas “cisternas” que vão atendendo às outras regiões: o centro cerebral, atendendo às funções intelectivas do homem, acionando as funções da mente; o centro laríngeo, responsável pela respiração, pela fala e todas as funções importantes do aparelho fonador; temos o centro cardíaco, que ativa as emoções, as emissões do sentimento do homem, atuando sobre o músculo cardíaco.

Conhecemos o centro gástrico, responsável pela digestão energética e naturalmente achamos aí, no campo da mediunidade, uma contribuição muito grande, porque os médiuns invigilantes, ou que estão nas lides sem o devido policiamento, sem as devidas defesas, quando entram em contato com atormentados, sentem as tradicionais náuseas, absorvendo energias que os alimentam de maneira negativa e provocam mal-estares de repercussão no soma, no corpo físico; a dor de cabeça, tão comum aos médiuns, são energias atingindo o centro cerebral.

Lembramos, ainda, o centro esplênico, responsável pela filtragem de energia, atuando sobre o baço, do mesmo modo que este é responsável pelo armazenamento do sangue, pela filtragem; e, achamos o centro básico ou genésico, por onde absorvemos a energia provinda dos minerais, do solo, o chamado pelos jogues de “kundalini” ou “fogo serpentino”.

Esses centros espalhados são tidos como os mais importantes, mas, ao longo do corpo, temos vários outros centros por onde as energias penetram ou por onde elas são emitidas.

Dessa forma, os centros de força são distribuidores de energia ao longo do corpo psicossomático que têm a função de atender ao corpo somático.

Identificamos a correspondência das veias, das artérias e dos vasos no corpo físico com as “linhas de força” do corpo perispiritual.

Eis porque, quando recebemos o passe, imediatamente, sentimos bem-estar, nos sentimos envolvidos numa onda de leveza que normalmente provoca-nos emoção. Porque as energias penetram o centro coronário e são distribuídas por essas “linhas de força”, à semelhança de qualquer medicamento, elas vão atingir as áreas carentes.

Se estivermos com uma problemática cardíaca, por exemplo, não haverá necessidade de aplicarmos as energias sobre o músculo cardíaco, porque em penetrando nossa intimidade energética, aquele centro lesado vai absorver a quantidade, a parcela de recursos fluídicos de que necessita.

Do mesmo modo, se temos uma dor na ponta do pé e tomamos um analgésico, que vai para o estômago, a dor na ponta do pé logo passa. Então, o nosso cosmo energético está, como diz a Doutrina Espírita, ligado célula por célula ao nosso corpo somático.

Por isso, os centros de força do perispírito têm seus correspondentes materiais nos plexos do corpo carnal, ou, diríamos de melhor maneira, os plexos do corpo carnal são representantes materiais, são a expressão materializada dos fulcros energéticos ou dos centros de força, ou, ainda, dos centros vitais do nosso perispírito.

irado do livro “Diretrizes de Segurança”
Por Divaldo P. Franco e J. Raul Teixei
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