O Magnetismo Mesmeriano

Amigos, gostaríamos de recomendar neste post um livro importantíssimo para todos os que desejam conhecer um pouco mais sobre Mesmer e aprofundar-se no estudo do Magnetismo Animal. Consideramos que este livro deve ser a principal fonte de consulta de todos os que desejam, realmente, conhecer a base do Magnetismo Animal e o pensamento de seu descobridor.
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Livro: Mesmer, a Ciência Negada e os Textos Escondidos
Autor: Paulo Henrique de Figueiredo
Editora: Lachâtre

No final do século XVIII, uma descoberta espetacular provocou verdadeira revolução na Medicina.

O médico Franz Anton Mesmer descobriu o Magnetismo Animal, ciência que Allan Kardec viria estudar por 35 anos, sendo considerada pelo mesmo como precursora e irmã do Espiritismo.

Essa descoberta, no entanto, abalava as estruturas de uma ciência que servia aos próprios interesses. Uma conspiração silenciou Mesmer e o Magnetismo Animal foi expulso da categoria de Ciência. Por ferir seriamente o interesse dos médicos em sua época, Mesmer teve seu nome caluniado e completamente alijado da história da Medicina. Até hoje carrega o estigma da calúnia, considerado um charlatão, apesar de ter usado o método experimental em suas pesquisas, muito antes dos médicos materialistas.

Refugiado na Alemanha, porém, ele registrou toda a história e suas descobertas em três livros. Por mais de duzentos anos essas obras ficaram escondidas numa prateleira da Biblioteca Nacional da França. Com potencial revolucionário, elas finalmente se encontram acessíveis para os pesquisadores do século 21.

Esta obra contém a biografia e a íntegra das principais obras do mais importante reformador da Medicina. Sua obra, indispensável, inclusive, para a perfeita compreensão do trabalho de Kardec, visto que o Magnetismo Animal influenciou decisivamente a Doutrina Espírita, é ainda completamente desconhecida nos dias de hoje.


Há doentes sobre os quais se atua em dois ou três minutos; em outros é necessário muitos dias e em alguns muitos meses. (Koreff, Deleuze) 
 
Há doentes nos quais os efeitos vão sempre aumentando; outros que sentem desde o primeiro dia tudo quanto experimentaram no decurso de um longo tratamento; outros, finalmente, que, depois de manifestarem sintomas notáveis, cessam de manifestar de repente a menor impressão. (Mesmer, Deleuze, Aubin Gauthier)
  
A magnetização produz efeitos puramente físicos; o doente cuja mão seguramos na posição da relação por contato experimenta geralmente os efeitos seguintes: umidade na palma das mãos, titilações nos dedos, formigamentos; a sensação encaminha-se às vezes aos braços, aos ombros até a cabeça, ou vai atacar o epigástrio, e há então irradiação por todo o corpo, que determina leves calafrios, bocejos, aos quais sucede a dormência dos membros e do cérebro. Em uns, o pulso diminui, o rosto empalidece, as pálpebras oscilam e fecham-se, os queixos e os membros se contraem, há sensação de frio; em outros, o pulso se acelera, sobem ao rosto fugachos que o avermelham, o olhar aviva-se, há transpiração, acessos de riso ou pranto.

Quando estes efeitos parecem querer acentuar-se, podemos, se se tem em vista obter-se o sono magnético, prolongar a ação que os determina; mas se não quisermos o sono (o que deve ser o caso mais habitual, por isso que ele não é necessário ao tratamento) apressemo-nos em romper a relação abandonando as mãos do sonâmbulo e fazendo-lhe alguns passes à distância.

 Acontece frequentemente que o magnetismo restabelece a harmonia das funções de que acabamos de falar, isto é: tendência à transpiração, sensação de frio ou de calor, espasmos, movimentos musculares, contrações, dormência, displicência, formigamentos, bocejos etc.; e só o percebemos ao efeito produzido pela melhora da saúde.

 O magnetismo nem sempre se manifesta, pois, por efeitos que anunciam a sua ação; e procederia mal quem desanimasse muito depressa, ou declarasse que o magnetismo é impotente só porque ao cabo de oito ou quinze dias, algumas vezes dois meses ou mais, não tivesse produzido nenhum efeito aparente. (Deleuze, Koreff, Aubin Gauthier)

 As pessoas que parecem mais rapidamente sensíveis à ação magnética são as que levam uma vida simples e frugal, que não são agitadas pelas paixões, que não abusaram dos narcóticos e dos minerais, e que não fazem uso imoderado dos perfumes de toucador. Os hábitos da alta sociedade, a vida agitada da política e dos negócios, as preocupações morais, o abuso dos anestésicos e dos narcóticos, os excessos da mesa e das bebidas alcoólicas ou fermentadas, diminuem cada vez mais a receptividade magnética; é por isso que os campônios que vivem com toda a simplicidade e ao ar livre, sem terem habitualmente recorrido às excitações artificiais dos prazeres da cidade e da terapêutica moderna, têm mais probabilidade de sentir com maior facilidade e rapidez que os outros os efeitos da ação magnética, no entanto que os alcoólatras e os morfinomaníacos são quase insensíveis. Nas crianças em quem o movimento natural não é ainda contrariado pelos maus hábitos de uma vida mal regulada, a ação magnética é mais notável, mais pronta e salutar que entre as pessoas adultas; e o mesmo se dá com os animais. As crianças e os animais são geralmente muito sensíveis ao magnetismo, e obtém-se sobre eles curas muito rápidas.

 É preconceito acreditar-se que as pessoas de compleição delicada ou enfraquecidas pelas moléstias crônicas são mais sensíveis que as outras; geralmente, não são os indivíduos edemaciados ou de temperamento nervoso que dão mais depressa indícios de sensibilidade magnética; pelo contrário, são antes as naturezas enérgicas e vivazes que melhor correspondem aos movimentos de reação que se procura produzir pela magnetização.

 Há igualmente uma opinião segundo a qual a sensibilidade magnética e, consecutivamente, o efeito curador dependem sobretudo de certas analogias de relação entre o magnetizador e o paciente; é evidente que se deve levar em conta influências que resultam dos caracteres, dos temperamentos e dos meios: os climas, as estações, o regime, os hábitos, a idiossincrasia têm efeitos incontestáveis num tratamento, e é muito admissível que certas pessoas sejam mais aptas que outras para produzirem certos efeitos e curarem determinadas moléstias. Não é duvidoso que os corpos são mais ou menos condutores das correntes, e por conseguinte, mais ou menos radiantes; que as trocas magnéticas entre os corpos variam portanto até ao infinito, mas isto é uma questão de mais ou menos em que não devemos deter-nos por muito tempo.

 Em tese, todos os doentes são sensíveis à ação magnética, e o são mais ou menos rapidamente; quando não se é bem sucedido, provém isto de mais uma falta de perseverança no tratamento ou da gravidade da desordem produzida no organismo por uma moléstia antiga, do que de qualquer outra coisa.

 Na maior parte dos indivíduos nervosos e nas moléstias que mais especialmente afetam o sistema nervoso, onde a prostração e a anemia alternam com uma grande superexcitabilidade, o magnetismo atua na maioria dos casos, sem produzir efeitos aparentes; e se, às vezes, com o correr do tempo, o magnetismo consegue triunfar dessas perturbações profundas da enervação, acontece frequentemente que se obtém a produção de fenômenos singulares que não são sempre seguidos dos resultados curativos que dele se espera. Em suma, seria erro acreditar-se que as afecções nervosas caem, mais especialmente que as demais moléstias, sob a competência do magnetismo; a ideia falsa que se fez e ainda se faz do papel fisiológico do magnetismo e de seus efeitos curadores contribui grandemente para entreter este preconceito, que a observação e a experiência deveriam ter há muito tempo desarraigado.
Do livro: “Magnetismo Curador” (Cap. XVIII)
Autor: Alphonse Bue


Energia, fluidos, corpos, passes

 

O que é energia?

A energia de um corpo é a capacidade que este tem de gerar qualquer ação. Como há várias formas de energia, pode haver várias formas de ação possíveis. À energia calorífica, uma ação possível seria o aquecimento. À energia elétrica, uma ação possível seria a geração de corrente. À energia magnética, uma ação possível seria a magnetização de outro corpo. Em geral os corpos têm vários tipos de energia, e, por conseguinte, podem atuar no meio no qual estão inseridos de várias formas. Por exemplo: o corpo humano é capaz de aquecer o ambiente – nesse caso é utilizada a energia calorífica; é capaz de movimentar objetos – nesse caso é utilizada a energia mecânica; é capaz realizar o processo da digestão – nesse caso, dentre outras, utiliza a energia química; e assim por diante. No passe, os pensamentos do passista e da equipe de Espíritos, reunidos, formam a energia espiritual que atua no paciente e diretamente nos fluidos, que são energia magnética, dando-lhe características necessárias ao paciente. Assim, podemos dizer que a energia relacionada ao passe é capaz de atuar diretamente no paciente.

O que é fluido?

Fluido é substância sutil, maleável, imponderável, energética, que pode ser manipulada pelo pensamento de Espíritos encarnados e desencarnados, que imprimem nele características positivas ou negativas, conforme o teor do pensamento. No passe, utiliza-se o pensamento do Espírito que coordena a tarefa, assim como do passista, de forma a impressionar positivamente os fluidos que serão doados ao paciente. O fluido, em sua mais simples expressão, é chamado de fluido cósmico universal, que representa a simplificação máxima da matéria, que, manipulada pelo pensamento do Espírito, imprime-lhe variações de onde se originam os diversos tipos de elementos hoje conhecidos.

O que é fluido animal?

Fluido animal ou magnetismo animal é a parcela de energia vital doada pelo ser encarnado, passista, no momento do passe. Tal fluido é inerente apenas a seres encarnados, sendo uma das razões pelas quais que companheiros encarnados participam de tarefas aparentemente de cunho apenas espiritual, tal como reuniões de desobsessão.

O que é fluido vegetal?

Fluido energético exalado pelos seres vivos do reino vegetal.

Temos vários corpos?

Sim. Os corpos mais amplamente tratados na literatura espírita são o físico, o duplo etérico, e o perispírito. Os dois primeiros são ditos corpos materiais, pois são reciclados a cada reencarnação, ao passo que o perispírito, também dito ‘corpo espiritual’, é classificado como semi-material, apresentando- se como corpo de transição entre o físico e o Espírito, que, por não ter forma, não o consideramos como um corpo propriamente dito. Além disso, encontramos raramente referências a outros corpos, que necessitam de mais amplo estudo e entendimento, dentre os quais destaca-se o ‘corpo mental’.

O que é perispírito?

É o corpo intermediário entre o corpo físico e o Espírito, necessário à relação entre estes dois últimos. É o laço que liga o corpo ao Espírito. Nos processos de reencarnação, é o molde determinante das características do corpo físico do Espírito que renasce.

O que é duplo etérico?

O duplo etérico pode ser considerado um corpo físico menos denso, energético, de onde dimanam as doações fluídicas animais (fluido animal) que o passista realiza durante a tarefa do passe.

O que é aura?

De forma geral, todo corpo emite energias. A emissão de tais energias se chama radiação. Aura é o conjunto das radiações emitidas por determinado corpo, que o envolvem. A grosso modo, podemos dizer que há duas auras bem características em cada indivíduo: a aura do perispírito, cuja composição varia em função das aquisições milenárias do Espírito, e a aura do duplo etérico, também conhecida como ‘aura da saúde’, cuja composição, forma e coloração apresentam considerável variação mesmo ao longo dos minutos, pois reflete, quase que imediatamente, as alterações psíquicas e orgânicas ocorridas no ser.

Temos várias auras?

Sim. Costuma-se encontrar na literatura espírita dois tipos distintos de aura, residentes no perispírito e no duplo etérico, respectivamente. A aura do duplo etérico, também conhecida como ‘aura da saúde’, pode ser visualizada pela fotografia Kirlian, ou kirliangrafia (método de sensibilização de uma chapa fotográfica através da radiação emitida pelo corpo duplo, ou duplo etérico; muito utilizada para a realização de diagnósticos de saúde), ao passo que a aura do perispírito, em situações normais, pode ser visualizada pela faculdade de clarividência.

Retirado do livro “O Passe - Respostas às Perguntas mais Freqüentes” - Eugênio Lysei Junior / Casa do Caminho – Sabará 1a. Edição – Janeiro de 1998


Da Natureza do Fluido e Sua Ação


Sabe-se que o fluido magnético comum pode dar, a certas substâncias, propriedades particulares ativas; neste caso, age de alguma sorte como agente químico, modificando o estado molecular dos corpos; nada há, pois, de espantoso em que possa mesmo modificar o estado de certos órgãos; mas compreende-se, igualmente, que sua ação, mais ou menos salutar, deve depender de sua qualidade; daí as expressões de “bom ou mau fluido; fluido agradável ou penoso”.

 Na ação magnética propriamente dita, é o fluido pessoal do magnetizador que é transmitido, e esse fluido que não é outro senão o perispírito, sabe-se que participa sempre, mais ou menos, das qualidades materiais do corpo, ao mesmo tempo que sofre a influência moral do Espírito.

 É, pois, impossível que o fluido próprio de um encarnado seja de uma pureza absoluta, e é por isso que sua ação curativa é lenta, algumas vezes nula, algumas vezes mesmo nociva, porque pode transmitir ao enfermo princípios mórbidos.

 De que um fluido seja bastante abundante e enérgico para produzir efeitos instantâneos de sono, de catalepsia, de atração ou de repulsão, não se segue, de nenhum modo, que tenha qualidades necessárias para curar; é a força que abate, e não o bálsamo que abranda e repara; assim ocorre com os Espíritos desencarnados de uma ordem inferior, cujo fluido pode mesmo ser malfazejo, o que os Espíritas têm, a cada instante, a ocasião de constatar.

Só nos Espíritos superiores o fluido perispiritual está despojado de todas as impurezas da matéria; de alguma sorte, ele é quintessenciado; sua ação, por consequência, deve ser mais salutar e mais pronta; é o fluido benfazejo por excelência. Uma vez que não se pode encontrá-lo entre os encarnados, nem entre os desencarnados vulgares, é preciso, pois, pedi-lo aos Espíritos elevados, como se vai procurar nas regiões longínquas os remédios que não se encontram na sua. O médium curador emite pouco de seu próprio fluido; ele sente a corrente do fluido estranho que o penetra e ao qual serve de condutor; é com esse fluido que magnetiza, e aí está o que caracteriza o magnetismo espiritual e o distingue do magnetismo animal: um vem do homem, o outro dos Espíritos. Como se vê, não há aí nada de maravilhoso, mas um fenômeno resultante de uma lei da Natureza que não se conhecia.

Para curar pela terapêutica comum, não basta qualquer medicamento; são necessários puros, não avariados ou adulterados, e convenientemente preparados; pela mesma razão, para curar pela ação fluídica, os fluidos mais depurados são os mais saudáveis; uma vez que esses fluidos benfazejos são o próprio dos Espíritos superiores, é, pois, o concurso destes últimos que é necessário obter; é por isso que a prece e a invocação são necessárias. Mas para orar, e sobretudo orar com fervor, é preciso a fé; para que a prece seja escutada, é preciso que seja feita com humildade e ditada por um sentimento real de benevolência e de caridade; ora, não há de verdadeira caridade sem devotamento, e não há de devotamento sem desinteresse; sem essas condições, o magnetizador, privado da assistência dos bons Espíritos, nisso está reduzido às suas próprias forças, frequentemente insuficientes, ao passo que com seu concurso podem ser centuplicados em poder e em eficácia. Mas não há licor, tão puro que seja, que não se altere passando por um vaso impuro; assim ocorre com o fluido dos Espíritos superiores passando pelos encarnados; daí, para os médiuns em que se revela essa preciosa faculdade, e que querem vê-la crescer e não se perder, há necessidade de trabalhar para a sua melhoria moral. 

 Entre o magnetizador e o médium curador há, pois, esta diferença capital, que o primeiro magnetiza com seu próprio fluido, e o segundo com o fluido depurados dos Espíritos; de onde se segue que estes últimos dão seu concurso àqueles que querem e quando querem; que podem recusá-lo, e, por consequência, tirar a faculdade àquele que dela abusasse ou a desviasse de seu objetivo humanitário e caridoso para dela fazer um tráfico.

 Quando Jesus disse aos seus apóstolos: “Ide! expulsai os demônios, curai os enfermos”, acrescentou: “Dai gratuitamente o que recebestes gratuitamente.”

 Os médiuns curadores tendem a se multiplicar, assim como os Espíritos anunciaram, e isto tendo em vista propagar o Espiritismo pela impressão que essa nova ordem de fenômenos não pode deixar de produzir sobre as massas, porque não há ninguém que não pense em sua saúde, mesmo os mais incrédulos. Quando, pois, se verá obter com o concurso dos Espíritos o que a ciência não pode dar, seria preciso muito convir que há uma força fora de nosso mundo; a ciência será assim conduzida a sair da via exclusivamente material onde permanece até este dia; quando os magnetizadores anti-espiritualistas, ou anti-espíritas, virem que existe um magnetismo mais poderoso do que o seu, serão muito forçados a remontar à verdadeira causa.

 Importa, no entanto, premunir-se contra o charlatanismo, que não faltará em tentar explorar, em seu proveito, essa nova faculdade. Há, para isso, um meio muito simples, é o de recordar-se de que não há charlatanismo desinteressado, e que o desinteresse absoluto, material e moral, é a melhor garantia de sinceridade.

Fonte: Revista Espírita - Allan Kardec (Ano 7 / Janeiro – 1864)


Terapêutica Magnética

 

 

Mesmer, fundador da doutrina a que deu o seu nome, apoiando-se nas idéias de Descartes e de Newton, admitia como princípio uma corrente universal que tudo penetra e abraça num movimento alternativo e perpétuo, assemelhando-se ao fluxo e refluxo do mar.

É a esse movimento alternativo universal que ele atribuía a formação dos corpos, as influências astrais, e a influência mútua que todos os corpos da natureza exercem uns sobre os outros.

É este o seu ponto de partida: tudo é simples, tudo é uniforme, tudo se mantém, a natureza produz os seus maiores efeitos com a menor despesa possível; ela junta unidade a unidade; só há uma vida, uma saúde, uma moléstia, e por conseguinte um remédio.

O homem se acha em estado de saúde quando todas as partes de que se compõe têm a faculdade de exercer as funções a que são destinadas: se em todas as funções reinar uma ordem perfeita, há harmonia.

 moléstia é o estado oposto, isto é, aquele em que a harmonia está perturbada. Como a harmonia é uma, só há uma saúde. A saúde pode ser representada pela linha reta. A moléstia seria então a aberração desta linha, aberração que pode ser mais ou menos considerável.

O remédio é o meio que restabelece a harmonia, quando ela se acha perturbada.

Existe um princípio que constitui e entretém a harmonia, e este princípio é precisamente o que o homem recebeu em partilha, desde sua origem, do movimento universal em que se acha encravado; este princípio é que determinou a formação e o desenvolvimento dos órgãos, e é ele que presidirá à sua conservação e reparação.

Originado do movimento universal, a cujas leis obedece, influencia diversamente os organismos, penetra-os e, regulando o jogo de seus elementos constitutivos (as vísceras), aparece como o verdadeiro princípio da vida.

Sob o impulso deste princípio ativo, formam-se correntes que seguem a continuidade dos corpos até as partes salientes pelas quais se escapam.

Estas correntes aumentam de velocidade e de potência quando estão retardadas ou apertadas em um ponto.

Polarizam-se, quando abandonam o circo.

Propagam-se à distância, quer pela continuidade dos sólidos, quer por intermédio dos meios ar, água ou éter.

Podem concentrar-se e reunir-se como em reservatórios, para se dispersarem depois.

Tudo que é suscetível de acelerar as correntes, produz um aumento das propriedades dos corpos.

Se estivesse em nosso poder acelerar as correntes universais, poderíamos, aumentando a energia da natureza, estender à vontade, em todos os corpos, as suas propriedades ou restabelecer as que um acidente tivesse enfraquecido.

Mas, se a nossa ação sobre as próprias forças da vida universal é limitada, podemos, pelo menos, exercer nosso poder sobre as partes constitutivas deste grande todo, e este poder é tanto mais ativo, quando houver entre essas partes e nós relações de analogia.

Assim, de todos os corpos, aquele que pode agir com maior eficácia sobre o homem é o seu semelhante.

Esta potência de ação reside na faculdade de uma emissão radiante, que todo o homem possui em diversos graus, e que pode regular ou estender à vontade pelo exercício, de maneira a pôr em ação, de perto ou de longe, os corpos inertes ou vivos.

Este fenômeno de emissão radiante é um fato adquirido desde muito tempo pela ciência: Faraday e Crookes deram a um estado particular da matéria o nome de matéria radiante.

Em física admitem-se as radiações caloríficas, químicas, elétricas e luminosas; há igualmente radiações magnéticas ou nêuricas.

Exercer em toda a sua plenitude a faculdade natural que o homem possui de emitir radiações magnéticas, é o que se chama magnetizar.

O mesmerismo repousa em uma hipótese que atribui à vontade a faculdade de expelir, para além da periferia do corpo, o influxo nervoso que ela desenvolve nos nervos do movimento, e de dirigir esta força através do espaço sobre os seres vivos que ela se propõe a afetar. Alguns dos efeitos mesméricos nos parecem justificar esta suposição de uma maneira absoluta. (Dr. Durand de Gros)
  
Retirado do livro ‘Magnetismo Curador’ - Alphonse Bué


Magnetismo X Materialismo 

  O mesmerismo é uma visão espiritualista e positiva da natureza, e absolutamente incompatível com o materialismo ou mesmo com a visão religiosa dogmática e sobrenatural da Igreja.

Assim como para Hipócrates(1), a arte de curar, segundo Mesmer, concentra-se em recuperar e manter a saúde, considerada como um estado de equilíbrio.

Identificado o desequilíbrio presente no organismo do doente, o magnetizador, por meio de passes, imposição, insuflação, massagens, exerce uma ação dinâmica pelo magnetismo animal (ou fluido vital) no paciente.

Um tratamento metódico, em sessões regulares, permite que o ciclo da doença se complete rapidamente, invertendo a ação desagregadora e funesta provocada pelo desequilíbrio instaurado. Atingindo o estado crítico, o estado doentio está superado. Finalmente o equilíbrio orgânico se restabelece e o paciente volta ao seu estado saudável.

A terapia descoberta por Mesmer é, assim, muito diferente da supressão dos sintomas empregada pela alopatia. Os sintomas são fenômenos naturais fisiológicos que denunciam o desequilíbrio presente na economia orgânica.

A ação do medicamento alopático, suprimindo os efeitos observáveis, mascara a verdadeira causa da doença. No entanto, apesar dos sintomas estarem omitidos, o estado mórbido ainda permanece no corpo doente. Como conseqüência, se – por sorte – a própria natureza não restaurar sozinha a saúde, surgirão novos sintomas e o estado de desequilíbrio orgânico se agravará. Além de muitos remédios e tratamentos da época de Mesmer serem intoxicantes, venenosos e exaustivos; sua fundamentação científico-filosófica estava equivocada.

Algumas décadas depois, Hahnemann(2) recomendaria o mesmerismo na sua obra máxima, o Organon da arte de curar, e faria uso do magnetismo animal no tratamento de seus próprios pacientes, com uma intensidade relevante.

A medicina alopática mantinha uma orientação materialista sem solução da continuidade desde Galeno(3). E ainda hoje insiste nesse equívoco, afastando da humanidade os benefícios dos meios naturais da cura.

(1) Hipócrates – Estudioso considerado o “pai” da Medicina.
(2) Hahnemann – Médico fundador da Medicina Homeopática.
(3) Galeno – Médico grego, responsável por diversos estudos na área de anatomia e fisiologia.

Edição de texto retirado do livro: “Mesmer, a ciência negada e os textos escondidos” – Paulo Henrique de Figueiredo – Ed. Lachâtre

Pensamento, prece, magnetismo




O pensamento, que provoca uma emissão fluídica, pode operar certas transformações moleculares e atômicas, como se vê isto se produzir sob a influência da eletricidade, da luz ou do calor.

A prece, que é um pensamento, quando é fervorosa, ardente, feita com fé, produz o efeito de uma magnetização, não só chamando o concurso dos bons Espíritos, mas em dirigindo sobre o doente uma corrente fluídica salutar. Chamamos a esse respeito a atenção sobre as preces contidas em O Evangelho Segundo o Espiritismo, para os doentes ou os obsidiados.

O conhecimento dos procedimentos magnéticos é útil em casos complicados, mas não é indispensável. Como é dado a todo o mundo chamar os bons Espíritos, orar e querer o bem, frequentemente, basta impor as mãos sobre uma dor para acalmá-la; é o que pode fazer todo indivíduo se nisso põe a fé, o fervor, a vontade e a confiança em Deus.

Há a se anotar que a maioria dos médiuns curadores inconscientes, aqueles que não se dão nenhuma conta de sua faculdade, e que se encontram, às vezes, nas condições mais humildes, e entre pessoas privadas de toda instrução, recomendam a prece, e ajudam a si mesmos orando. Somente sua ignorância faz crer na influência de tal ou tal fórmula; algumas vezes mesmo ali misturam práticas evidentemente supersticiosas, das quais é preciso dar o caso que elas merecem.

Fonte: Revista Espírita – Allan Kardec
Ano 8 - Setembro de 1865 - Nº. 9








3 comentários:

  1. Oi Flávio! Muito obrigado por incluir uma citação do livrinho sobre passe que eu escrevi em 1998, em seu post "Energia, fluidos, corpos, passes". Publiquei recentemente um blog sobre o passe, com o conteúdo completo do livrinho, para nossa troca de ideias: http://opasse.com.br - apareça e participe! Abraço fraterno! :-)

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  2. Hola Flavio por favor como puso me consultar con un hipnologo que tenga el magnetismo animal.Se você conhece alguem por favor deixa sua mensagem. Obrigado por seu aporte.

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  3. Hola Flavio por favor como puso me consultar con un hipnologo que tenga el magnetismo animal.Se você conhece alguem por favor deixa sua mensagem. Obrigado por seu aporte.

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